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ENCONTRO HUNI KUIN

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© 2018 - Instituto Indígena Huni Kuin Yube Inu | Aldeia Boa Vista, s/n, Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão, Jordão/AC - Brasil.

Sobre o povo

Huni Kuin

Os Huni Kuin (Kaxinawá ou “povo verdadeiro”) pertencentem ao tronco-linguístico pano e atualmente vivem em terras situadas na região de fronteira entre o Brasil e o Peru. No Brasil, os Huni Kuin estão espalhados por 12 terras indígenas no estado do Acre, nos rios Tarauacá, Jordão, Breu, Muru, Envira, Humaitá e Purus. Constituem a maior população indígena do estado com 10.818 indivíduos (Siasi/Sesai, 2014) e  são cada vez mais reconhecidos por seu imenso e valioso conhecimento tradicional e suas medicinas sagradas.

PERSPECTIVA HISTÓRICA

Do Tempo da Malocas em que os Huni Kuin viviam em grandes núcleos e habitavam as malocas de palha, até o novo Tempo da Cultura muito se passou.

Por volta de 1890 caucheiros peruanos e seringalistas nordestinos invadiram a floresta na região onde hoje se localiza o Acre, o sul do Amazonas e a floresta do leste peruano; numa frenética busca pela exploração do caucho e do látex extraídos das árvores para fabricação de borracha. Foi o Tempo das Correrias, que marcou para sempre a vida dos povos da região. Deixaram rastros de sangue, medo e doenças e dizimaram diversas etnias.

Dentro de alguns anos escravizaram centenas de indígenas para trabalhar nos seringais, esse período que se seguiu por volta de 1911 deu-se o nome Tempo dos Barracões. Foram tempos sombrios, em que muitos saberes sagrados e elementos culturais se perderam, em que a vida na floresta sofreu profundas transformações, marcadas pela imposição de outra língua, religião e modo de vida. Mas o povo Huni Kuin, no íntimo, conseguiu resistir e manter vivo muitos saberes, transmitindo-os para as próximas gerações. Dizem relatos que quando podiam se reuniam secretamente, longe dos barracões, para tomar Nixi Pae e cantas suas canções sagradas, fazer suas festas tradicionais e fazer o Nixpu Pima (batismo tradicional) com suas crianças.

Após muita luta dos Huni Kuin junto com a importante ajuda de alguns Txais (amigos não indígenas) chegou o que se chamou Tempo dos Direitos, em que diversas terras indígenas foram demarcadas. A Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão foi finalmente homologada em 1991, após muita resistência e persistência de todos os envolvidos. As colocações dos seringais aos poucos foram dando lugar às aldeias, a população Huni Kuin cresceu, abençoou a Terra com seus cantos, semeou o solo com seus cultivos e trouxe abundância de alimento. Crianças nasceram e, finalmente livres, puderam pescar, plantar, colher, correr e aprender com seus avós suas músicas, histórias e rituais.

Mas viver nesse tempo exigiu lidar com as transformações que ocorriam no entorno e buscar novas formas de organização e reivindicação de suas necessidades. Através do apoio de diversas pessoas e organizações muitas mudanças ocorreram; criaram-se cargos dentro das aldeias como os de Agente Agroflorestal Indígena (AAFI) e Agente de Saúde, criou-se a escola bilíngue de ensino diferenciado, com professores indígenas.

Novamente profundas transformações passaram a acontecer. Os jovens começaram a pesquisar a cultura com os mais velhos, fundaram-se associações, movimentos de artistas e artesãs, construindo finalmente um Novo Tempo, o Tempo da Cultura. Nesse tempo atual é que se realizam os festivais, em que alguns Huni Kuin tem a oportunidade e responsabilidade de viajar o mundo levando suas práticas espirituais, cantos, artes e medicinas da floresta.